Um terreiro de Candomblé localizado em Iguabinha, distrito de Araruama, na Região dos Lagos, foi invadido e depredado. O episódio, divulgado nesta quinta-feira (5), provocou indignação entre integrantes da comunidade religiosa e reacendeu o alerta sobre os casos de intolerância e racismo religioso na região.
De acordo com as informações divulgadas, o espaço religioso foi encontrado com sinais de destruição. Portas foram arrancadas, móveis quebrados, alimentos espalhados e louças e objetos utilizados nos rituais religiosos danificados.
Um dos aspectos que chamou a atenção dos responsáveis pelo terreiro foi o fato de nenhum objeto ter sido levado do local. A circunstância levantou a suspeita de que a invasão possa ter sido motivada por intolerância religiosa.
A ocorrência foi registrada na polícia no dia 4 de novembro. O caso deverá ser investigado para identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias do ataque.

Outros episódios preocupam lideranças religiosas
Representantes de religiões de matriz africana também relataram outros episódios de violência na região. Entre os casos mencionados estão uma segunda invasão a um terreiro de Candomblé em Iguabinha e um ataque a uma casa de Umbanda no bairro Areal, em julho, quando o altar do espaço religioso foi incendiado.
A sequência de ocorrências aumenta a preocupação das comunidades tradicionais de matriz africana, que cobram respeito à liberdade de culto, proteção aos espaços sagrados e providências das autoridades públicas.
Intolerância religiosa é crime
A Constituição Federal garante a liberdade de consciência e de crença, além de assegurar o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais de celebração.
Ataques motivados por discriminação religiosa podem configurar crimes previstos na legislação brasileira, incluindo a Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito e discriminação.
O episódio em Araruama reforça a necessidade de combater o racismo religioso, garantir a segurança das comunidades tradicionais e assegurar que todas as pessoas possam exercer sua fé sem ameaças, violência ou discriminação.
















