A participação de Guido Mantega em uma reunião de economistas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou preocupação no mercado, que teme uma possível repetição das políticas econômicas do governo de Dilma Rousseff durante o quarto mandato de Lula. Essa análise foi apresentada pela editora Laryssa Borges, que destacou a importância da escolha do próximo ministro da Fazenda para definir não apenas a orientação econômica do governo, mas também a autonomia dele para agir.
No programa “Os Três Poderes”, apresentado por Ricardo Ferraz na sexta-feira, 6 de novembro de 2026, Laryssa observou uma tensão entre o discurso de responsabilidade de Lula e os sinais dados pela reunião que contou com a presença de Mantega e Luciano Coutinho. Segundo ela, “a presença do Mantega ajuda a fomentar esse tipo de temor”, sugerindo que sua participação pode indicar uma abordagem econômica similar à do segundo governo Dilma.
Após a divulgação dos participantes da reunião, o mercado reagiu, e o dólar, que estava em queda, passou a subir. Apesar de não apresentar uma cotação específica, a jornalista explicou que essa movimentação da moeda reflete a incerteza dos investidores sobre a futura política econômica, especialmente considerando um cenário de restrição orçamentária. Laryssa enfatizou que o novo governo precisará acomodar suas promessas de campanha dentro de um “cobertor muito, muito curto”.
Outro ponto crucial levantado por Laryssa é a autonomia que o futuro ministro da Fazenda terá. Para o mercado, a definição do titular da pasta não é suficiente; é essencial saber se ele terá a força necessária para implementar as medidas indispensáveis para equilibrar as contas públicas. A editora enfatizou: “O que o mercado precisa e está querendo entender é quem vai ser o ministro da Fazenda”. Essa escolha será determinante para avaliar se haverá “autonomia suficiente” para enfrentar o desafio fiscal que o governo encontrará.
Citando uma anedota comum em Brasília, Laryssa mencionou que, frequentemente, o ministro da Fazenda de Lula é visto como sendo o próprio Lula, o que demonstra o nível de centralização das decisões econômicas. Ela também fez referência à passagem de Joaquim Levy pelo governo Dilma, ressaltando que, apesar de ser um nome bem visto pelo mercado, Levy não tinha a autonomia necessária para efetivar mudanças, o que poderia ser um risco para o próximo ministro também.
A escolha que está por vir não será avaliada apenas pelo nome em si, mas também pelo quanto Lula estará disposto a delegar e permitir que o novo titular enfrentasse as dificuldades fiscais e cumprisse com as promessas eleitorais.
















