A conexão entre o avanço da ciência e as demandas da sociedade é uma das premissas fundamentais para a geração de inovação. Com base nesta premissa as instituições de ensino e pesquisa vêm criando ecossistemas de imersão prática para impulsionar os jovens a transformarem a curiosidade científica em negócios inovadores.
A trajetória recente de estudantes de graduação da Fundação Getulio Vargas (FGV) exemplifica esse movimento. Ao longo do ano, a articulação entre a instituição, empresas e governo pavimentou o caminho para que alunos desenvolvessem tecnologias voltadas a resolver desafios reais para o crescimento sustentável do país.
FGV O Desafio: desenvolvendo soluções de impacto
O principal catalisador desse movimento na Fundação foi a primeira edição do FGV O Desafio, realizada entre 21 e 23 de agosto, no Rio de Janeiro. O evento reuniu cerca de 100 estudantes de graduação em uma imersão intensiva de três dias que integrou, de forma inédita, alunos de seis escolas da instituição: Escola de Matemática Aplicada (FGV EMAp), Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE), Economia e Finanças (FGV EPGE), Ciências Sociais (FGV CPDOC), Direito (FGV Direito Rio) e Comunicação (FGV Comunicação).
A iniciativa foi estruturada pela Rede de Pesquisa e Inovação da FGV e teve foco em três eixos estratégicos: Inteligência Financeira e Gestão de Riscos, Creator Economy e Wellness. As equipes passaram por um ciclo completo de desenvolvimento: da identificação do problema e modelagem de negócios, até a validação de Produtos Viáveis Mínimos (MVP) e apresentações de pitch.
A competição premiou três projetos vencedores:
· 1º Lugar — Tributo IQ: Criado por estudantes de Administração e Economia, o projeto desenvolveu uma plataforma de inteligência fiscal baseada na análise automatizada de notas fiscais XML. A solução resolve inconsistências cadastrais e prepara pequenas e médias empresas para os desafios da reforma tributária de 2027.
· 2º Lugar — Arza: Focado na saúde e bem-estar, projetou uma garrafa inteligente (smart bottle) capaz de monitorar os níveis de hidratação individual.
· 3º Lugar — Amparo: Desenvolvido por alunos bolsistas do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial da FGV EMAp, projetou um modelo de microseguro 100% digital, acessível e desburocratizado via aplicativo e WhatsApp, voltado a trabalhadores autônomos e informais sem CNPJ.
Da sala de aula ao mercado
O impacto do trabalho desenvolvido pelos estudantes ultrapassou as fronteiras acadêmicas e ganhou visibilidade no setor de seguros. No dia 10 de setembro, a produção inovadora dos alunos da FGV foi destaque no 1º Simpósio Técnico-Científico do Instituto IRB, sediado no Maravalley Rio.
No painel dedicado a trazer inovações e pesquisas para o setor de seguros e gestão de riscos, estudantes de Ciência de Dados e IA da FGV EMAp subiram ao palco para apresentar suas soluções diretamente a executivos do IRB(Re) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep) além de pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).

Durante o simpósio, o projeto Amparo detalhou como sua plataforma pode suprir a lacuna de proteção de mais de 30 milhões de trabalhadores autônomos no Brasil, conectando a demanda desses profissionais a seguradoras por meio de uma plataforma tecnológica.
Outro grande destaque do evento foi a apresentação do projeto Acesa, uma solução baseada em seguro para o pequeno varejo alimentar, utilizando sensores conectados a freezers para detectar quedas de energia elétrica e disparar indenizações automáticas imediatas, eliminando a burocracia tradicional de vistorias.
A presença dos estudantes no simpósio foi celebrada pela presidente do Instituto IRB, Eduarda La Rocque, e por diretores da Susep, que reafirmaram a urgência de formar novos talentos capazes de unir matemática aplicada, inteligência artificial e visão socioeconômica para fortalecer o mercado nacional.
O ponto de partida: Hackathon de Seguros
Os trabalhos apresentados pelos alunos refletem um processo contínuo de estímulo à inovação que teve início no primeiro semestre de 2026. Entre 13 e 17 de abril, em São Paulo, a FGV realizou o seu Hackathon de Seguros, evento imersivo que conectou os estudantes de graduação a desafios reais do setor produtivo.
Neste evento os alunos participaram de uma semana imersiva em que tiveram mentorias com especialistas do setor, desenvolveram produtos e serviços e apresentaram para uma mesa de especialistas. Além da premiação em capital semente, as soluções criadas ainda ganharam a oportunidade de serem aceleradas pelo FGV Ventures, a aceleradora de startups da FGV.
Um ecossistema de futuro para o Brasil
De acordo com Goret Paulo, diretora de Pesquisa e Inovação da FGV, a convergência entre o Hackathon de Seguros no primeiro semestre, o FGV O Desafio em agosto e a apresentação das startups no Simpósio Técnico-Científico do Instituto IRB em setembro demonstra o suporte contínuo a um ecossistema de inovação integrado à pesquisa.
“Ao transformar o conhecimento das salas de aula em soluções inovadoras para a gestão de riscos, otimização fiscal e proteção social, os alunos da FGV provam que o incentivo aos jovens para o desenvolvimento de pesquisas é o caminho mais eficaz para se construir uma economia mais dinâmica, inclusiva e resiliente”, declarou Goret.