Assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL) começou a construir a carreira política nas fronteiras do Rio de Janeiro. O pai conquistou a primeira cadeira parlamentar na Câmara Municipal da capital em 1988. Catorze anos depois, o filho passou a ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa do estado. Todas as vezes em que alçou voos de envergadura nacional, o clã contou com o impulso do berço político. Tanto em 2018 quanto em 2022, Jair venceu na capital e no estado. Em 2026, o mesmo aconteceu no primeiro turno. Neste domingo 25, porém, o resultado na capital mudou.
Do primeiro para o segundo turno, o total de votos conquistados por Lula junto ao eleitorado carioca cresceu quase um quarto. Já os votos de Flávio aumentaram menos de 8%. Assim, com três pontos percentuais a mais que o adversário, o candidato do PT passou à frente e sagrou-se vencedor na cidade, com uma vantagem de 113. 000 votos.
O petista também melhorou o desempenho no estado. Por mais que ainda tenha ficado atrás no total, a distância de Flávio diminuiu mais da metade. Se no primeiro turno a vantagem do senador era quase 1. 280. 000 votos, no segundo ela encolheu para menos de 604. 000. É uma diferença substancial, equivalente a aproximadamente 14% da vantagem com a qual Lula venceu as eleições, de 4. 430. 000 votos.
Capital
Do primeiro para o segundo turno, cinco zonas eleitorais mudaram de cor. Além de terem sido pintadas do azul para o vermelho, todas têm em comum o fato de estarem situadas na Zona Norte da cidade: abrangem regiões do Méier, Madureira, Penha, Irajá, Vila Kosmos e Vila da Penha. Além das zonas em que o candidato do PT conquistou a maioria dos votos, a distância se encurtou em diversos lugares em que Flávio liderava, como zonas em Cordovil, Jardim América, Parada de Lucas, Vigário Geral, Vila da Penha e Vista Alegre. Adicionalmente, em zonas em que o petista já liderava, a margem de vantagem cresceu. É este o caso de zonas no Anil, Cidade de Deus, Gardênia Azul, Pechincha e Rio das Pedras, na Zona Oeste.
Mobilização
Uma das explicações apontadas para o crescimento dos votos no candidato do PT é o crescimento da mobilização política dos apoiadores de esquerda, tanto nas ruas quanto no ambiente digital. No dia seguinte à derrota no primeiro turno, estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, na região metropolitana, foram às ruas em um ato pró-Lula. Foi este o ponto de partida para uma onda de mobilizações, não apenas no Rio de Janeiro, em grande parte protagonizadas por estudantes.
Não foi apenas nas ruas que a presença dos apoiadores lulistas aumentou. Em resposta a uma série de críticas à suposta falta de presença e expertise digital do PT, ganharam protagonismo figuras como Ana Elisa Santos Silva e André Janones. Os deputados federais eleitos no estado de Minas Gerais somam milhões de seguidores e mudaram a comunicação da campanha nas redes. Na véspera das eleições, o canal de WhatsApp administrado por Janones, o Exército de Lula, somava mais de 10 milhões de seguidores.
Outro fator que, na visão de especialistas, pode ter influenciado o resultado nas urnas é o impacto das medidas anunciadas pelo governo nas semanas anteriores às eleições. O reajuste do Bolsa Família, a proibição das bets, o pacote para microempreendedores e a ampliação do Pé-de-Meia são algumas das cartadas que podem ter contribuído para a conquista de votos.
















