Recorde de Abstenção no Primeiro Turno
O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 registrou uma abstenção alarmante de 21,1%, representando 33,4 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Para cada dez pessoas habilitadas a votar, duas optaram por não participar do processo democrático.
Especialistas apontam que diversas questões contribuem para esse fenômeno.
Problemas Financeiros Comprometem a Participação
De acordo com Eduardo Grin, mestre em Ciência Política pela USP e professor na Fundação Getúlio Vargas, a situação financeira dos eleitores é um dos principais obstáculos.
Ele explica que o eleitor de baixa renda enfrenta dificuldades para se locomover até as seções eleitorais. Muitas vezes, residem em áreas de difícil acesso, e o transporte público nem sempre é adequado ou disponível.
Grin enfatiza que a abstenção está particularmente ligada à idade avançada de muitos eleitores. A população acima de 60 anos frequentemente lida com problemas de saúde e limitações físicas que dificultam o deslocamento.
Além disso, ele lembra que, a partir dos 70 anos, o voto é facultativo, o que pode reduzir ainda mais a presença deste grupo nas urnas.
Desalento e Falta de Expectativa
Outro fator relevante para o aumento da abstenção é o desalento que permeia um segmento da população. Grin argumenta que existe um grupo significativo que não acredita que as eleições impactarão positivamente suas vidas, sentindo-se desiludido com a possibilidade de mudanças. “A falta de expectativas em relação ao futuro e a dificuldade em encontrar candidatos que ofereçam soluções para problemas críticos como segurança e economia são fatores determinantes”, explica.
Esse sentimento de desânimo afeta especialmente mulheres, que são alvos mais frequentes da violência cotidiana, e jovens a partir dos 16 anos.
O professor destaca que a juventude, em um contexto econômico volátil, se sente insegura sobre sua trajetória futura, questionando: “Como vou ter certeza no futuro?”.
Impactos nas Candidaturas
Grin alerta que o candidato Lula pode ser o mais impactado por essa alta taxa de abstenção, especialmente entre eleitores de baixa renda, muitos dos quais dependem do Bolsa Família. O experto também menciona que a perda de palanques nos três maiores colégios eleitorais (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), onde candidatos de direita venceram no primeiro turno, pode representar um desafio considerável para a reeleição do petista. “Essa situação é preocupante para a candidatura de Lula, pois ele não terá um apoio forte nas principais regiões do país”, conclui Grin.
















