O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, primeiro membro da família a se autoexilar nos Estados Unidos, sempre alimentou a esperança de que sua parceria com Donald Trump resultaria na libertação de Jair Bolsonaro e na possibilidade de retorno ao poder, seja do capitão ou de um parente. Para isso, Eduardo atuou no sentido de persuadir o governo americano a adotar medidas drásticas, como um tarifaço sobre as exportações brasileiras e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso que envolve a tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal (STF).
No ano passado, essas duas iniciativas foram, de fato, implementadas pela administração Trump. O senador Flávio Bolsonaro também se mostrou otimista em relação ao apoio de Trump, acreditando que a Ley Magnitsky amedrontaria Moraes e os outros ministros do STF, levando-os a não condenar Jair Bolsonaro. Flávio expressou sua crença de que, caso Lula fosse reeleito, Trump não reconheceria o resultado das eleições e exigiria uma nova votação, que, segundo ele, só seria aceita se o processo eleitoral fosse totalmente legítimo, garantindo a vitória de Jair ou de outro membro da família.
No entanto, as expectativas do clã Bolsonaro em relação a essas ações têm se mostrado infundadas. O tarifaço imposto por Trump acabou fornecendo a Lula um discurso forte a favor da soberania nacional, o que auxiliou o presidente em sua tentativa de recuperar popularidade. Além disso, Lula conseguiu reverter a aplicação da Lei Magnitsky a Moraes, que foi parte da condenação de Jair Bolsonaro e outros a penas severas; o ex-presidente atualmente cumpre uma sentença de 27 anos e três meses de prisão.
Com relação à recente eleição brasileira, Trump insinuou, sem apresentar evidências, que houve fraudes que favoreceram Lula em detrimento de Flávio Bolsonaro. Tal retórica, que ele frequentemente usa quando se vê perdendo ou ameaçado em um pleito, reitera seu mantra de que seus adversários são os maiores fraudadores da história, afirmando: “Eles são os maiores fraudadores de eleições na história”. Trump, que se prepara para as eleições de meio de mandato nesta terça-feira, dia 3, sugeriu que o Brasil havia realizado “um ótimo trabalho” nesse sentido, embora seus comentários sejam mais uma expressão de descontentamento por seus próprios fracassos políticos.
Assim como Eduardo, Flávio Bolsonaro também obteve acolhimento por parte da gestão Trump, tendo deixado o Brasil discretamente após sua derrota no segundo turno. No entanto, o presidente americano não tomou uma posição clara contra a reeleição de Lula, desapontando, ao menos até o momento, as expectativas do clã Bolsonaro.
















