Flávio Bolsonaro pode ter comprometido um dos maiores patrimônios políticos que construiu durante sua campanha presidencial: a imagem de um Bolsonaro mais moderado. Essa avaliação é do editor de Política de VEJA, José Benedito da Silva, que destacou a mudança de postura do senador após a derrota eleitoral como um dos principais fatores para seu enfraquecimento político. Em uma conversa no programa VEJA em Foco, o jornalista afirmou que o maior arrependimento de Flávio pode estar ligado ao abandono da estratégia de moderação que adotou durante a disputa.
Durante a campanha, Flávio fez um esforço para se apresentar como uma versão mais moderada do bolsonarismo, mas sua mudança de comportamento após o resultado das urnas surpreendeu. José Benedito lembrou que a candidatura de Flávio foi capaz de unir o eleitorado de seu pai e atrair apoios que pareciam improváveis, levando-o ao segundo turno com uma votação expressiva e gerando preocupação na campanha petista.
Além disso, o senador deixou para trás uma estrutura política significativa, já que o PL conquistou a maior bancada na Câmara, a maior bancada no Senado e seis governos estaduais. Ele tinha condições de assumir a liderança da oposição ao governo Lula. Contudo, sua decisão de deixar o Brasil alterou esse cenário. Flávio viajou para os Estados Unidos com a família após a derrota, ato que, segundo José Benedito, surpreendeu aliados próximos e gerou desconforto dentro do partido.
O editor de VEJA destacou que o problema não foi apenas a saída do país, mas também a mudança de discurso que se seguiu. A resistência do senador em reconhecer o resultado eleitoral e a divulgação de uma carta considerada golpista contribuíram para uma percepção negativa, assim como suas declarações subsequentes sobre uma possível candidatura presidencial. Segundo José Benedito, o esforço de Flávio para construir uma imagem de uma direita mais moderada rapidamente se desfez.
A mudança de postura pode comprometer a capacidade de Flávio de liderar uma oposição que precisará articular interesses de diferentes partidos e grupos no Congresso Nacional. A ausência de um mandato parlamentar também é um fator limitante, uma vez que sem uma cadeira no Congresso ele terá menos instrumentos para manter contato direto com deputados, senadores e governadores.
José Benedito ainda apontou que a possibilidade do Centrão se aproximar do governo Lula pode deixar o PL mais isolado no Legislativo, já que esses partidos normalmente tendem a se aliar a quem está no poder, reduzindo assim o espaço de articulação da oposição. “É muito difícil que ele consiga, a partir dos Estados Unidos, liderar essa oposição”, afirmou o jornalista.
Além disso, a decisão de Flávio poderá gerar consequências dentro da própria família Bolsonaro. O fortalecimento político de Michelle Bolsonaro, que conquistou um mandato de oito anos no Senado, pode significar uma mudança na dinâmica de forças do grupo familiar. A perspectiva de uma direita sem Bolsonaro tende a ganhar espaço à medida que outras lideranças assumem posições de destaque. Nesse contexto, o maior arrependimento de Flávio pode ser ter perdido a oportunidade de consolidar uma liderança nacional quando havia ampliado seu espaço político.
















