Decisão do Supremo Tribunal Federal
No dia 3 de setembro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão histórica ao fixar em R$ 5 mil a renda de referência para concessão da Justiça gratuita. Com essa medida, o valor passa a ser o critério para determinar se um indivíduo possui condições financeiras para arcar com as despesas de um processo judicial.
Aqueles que recebem até R$ 5 mil terão uma presunção relativa de insuficiência financeira, podendo acessar o benefício automaticamente. No entanto, caso o juiz identifique patrimônio ou renda que não se alinha ao pedido, a gratuidade pode ser negada. Por outro lado, aqueles que ganham acima desse montante ainda poderão solicitar a Justiça gratuita, mas precisarão comprovar a falta de recursos para custear as despesas do processo.
Nova abordagem do STF em relação à renda
A decisão ocorreu em uma ação que tratava de normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Entretanto, o STF determinou que essa nova regra se aplica a todos os ramos do Judiciário, e não apenas à Justiça do Trabalho. O ministro Gilmar Mendes foi um dos principais articuladores do voto que fundamentou a mudança, enfatizando que o parâmetro da Reforma Trabalhista de 2017 falhou em se adequar às novas realidades econômicas e legislativas.
Gilmar Mendes argumentou que o limite anteriormente existente apresentava uma desconexão com as circunstâncias atuais. A fixação do teto em R$ 5 mil, conforme a atual faixa de isenção do Imposto de Renda, reflete melhor a renda necessária para a cobertura das necessidades básicas da população.
Implicações e futuras atualizações
O STF também estabeleceu que quaisquer futuras atualizações na tabela de isenção do Imposto de Renda deverão automaticamente impactar o valor de referência para a Justiça gratuita. Caso a tabela não seja reajustada anualmente, o valor será corrigido segundo o IPCA.
Além disso, foi considerada inconstitucional a Súmula 463, I, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que ajustava a concessão de Justiça gratuita apenas com base na autodeclaração de insuficiência econômica. Com o novo entendimento, é imprescindível que quem busca o benefício apresente documentação que comprove sua situação financeira, permitindo uma análise mais rigorosa por parte do Judiciário.
Este novo critério pode trazer à tona discussão sobre a natureza e efetividade da Justiça gratuita, além das implicações práticas nas vidas das pessoas que dependem desse suporte.