João Campos, ex-prefeito do Recife e atual líder nacional do PSB, tem se destacado como uma das principais vozes no debate sobre a regulação das grandes plataformas digitais durante as campanhas eleitorais. Apesar de não ocupar mais um cargo parlamentar, Campos dialoga com lideranças da Câmara, incluindo o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir a necessidade de regular os algoritmos que definem a entrega de conteúdo em plataformas como Instagram, WhatsApp, Facebook (Meta), X (antigo Twitter), TikTok e Google.
A proposta de Campos surge em resposta a uma reclamação recorrente de porta-vozes da esquerda, que alegam um possível viés favorável à direita na distribuição de postagens nas redes sociais. Eles afirmam que candidatos ligados a Flávio Bolsonaro, derrotado na eleição presidencial por Lula, alcançaram níveis de engajamento desproporcionais em comparação aos da esquerda, incluindo visualizações, curtidas e compartilhamentos.
Um episódio emblemático ocorreu dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial, quando o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou que Meta e X apresentassem relatórios a cada seis horas sobre o alcance das postagens de aliados de Flávio Bolsonaro, como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e o influenciador Pablo Marçal. Esta decisão foi uma resposta a um pedido da coligação de Lula, que argumentava que essas redes estariam sendo utilizadas para disseminar desinformação e favorecer a direita.
Durante reuniões sobre a possível adoção do voto distrital misto em 2034, Campos ressaltou a importância de regular os algoritmos das redes sociais, afirmando que a visibilidade de conteúdos relevantes, como os relacionados a soluções de problemas sociais, está sendo ofuscada por publicações superficiais, como vídeos de dança. “Você, parlamentar que resolveu um problema de saúde da sua região, que resolveu questões de trânsito, segurança e educação, perdeu espaço para o vídeo de dancinha, de cantor, de lacração”, observou Campos.
A preocupação do ex-prefeito também se estende à transparência das empresas que recebem altos valores do fundo eleitoral, sublinhando que essas entidades não podem operar sem um devido controle. O Facebook, por exemplo, foi o principal fornecedor das eleições de 2026, recebendo mais de 423,8 milhões de reais do fundo eleitoral de campanhas no Brasil.
As observações de Campos sobre as táticas de engajamento nas redes sociais têm alvos definidos. Nikolas Ferreira, com mais de 26 milhões de seguidores no Instagram, foi reeleito com uma votação recorde, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP), também com uma grande base de seguidores, alcançou 3 milhões de votos após viralizar com conteúdos de dança.
Embora não seja mais deputado, Campos conta com o apoio na Câmara de sua esposa, Tabata Amaral (SP), e seu irmão, Pedro Campos (PE), ambos do PSB, para articular propostas que buscam regular a entrega e o ranqueamento de conteúdos políticos nas plataformas digitais.
















