Os gastos com candidaturas nas eleições de 2026 totalizaram R$ 11,03 bilhões, o que representa uma redução de R$ 2,36 bilhões comparado ao pleito de 2022, conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgados até 30 de outubro.
Esse levantamento abrange as despesas de candidatos à Presidência, Senado, Câmara dos Deputados, bem como deputados estaduais e distritais. O principal item de gasto, respondendo por cerca de 52% do total, foi as doações financeiras a outros candidatos e partidos, somando R$ 5,72 bilhões. Este mecanismo permite que políticos transfiram parte de sua verba eleitoral para outros concorrentes.
O segundo maior gasto foi com “publicidade por materiais impressos”, que totalizou R$ 976 milhões, seguido por serviços prestados por terceiros (R$ 795 milhões) e atividades de militância e mobilização de rua (R$ 662 milhões). Outras despesas significativas incluem gastos com pessoal (R$ 538 milhões), impulsionamento de conteúdos (R$ 488 milhões), serviços advocatícios (R$ 302 milhões), anúncios em rádio e TV (R$ 282 milhões), e locação de veículos (R$ 180 milhões).
Essas dez categorias foram responsáveis por 94% do total dos gastos, totalizando R$ 10,73 bilhões, enquanto os demais R$ 662 milhões se distribuem por 32 outras despesas, que vão de serviços contábeis a encargos sociais.
Murilo Borsio Bataglia, professor de Direito da Universidade de Brasília, destaca que a forma de investimento mudou nas campanhas devido ao avanço das plataformas digitais. Ele afirma que os gastos devem respeitar as normas de financiamento e as exigências de transparência eleitoral.
Mariana Steinmetz, advogada especialista em direito eleitoral, explica a diminuição dos gastos em relação a 2022, sugerindo que a definição de 21 governos estaduais no primeiro turno ajudou a evitar gastos adicionais. Os candidatos têm até 3 de novembro para declarar as despesas do primeiro turno e até 14 de novembro para os gastos do segundo turno.
Com relação ao uso de plataformas digitais, o Facebook (Meta) foi a ferramenta mais beneficiada, recebendo R$ 352 milhões em contratos, um aumento significativo de 272% em relação a 2022. Gustavo Ribeiro, cientista político, ressalta que as redes sociais se consolidaram como o principal meio de comunicação das campanhas, com 76% dos eleitores buscando informações online.
Além disso, as eleições deste ano foram marcadas por denúncias envolvendo a Meta, que foram acusadas de tentar interferir no processo eleitoral em favor de uma das candidaturas.
Os recursos das eleições provêm de várias fontes, incluindo o FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), que neste ano totalizou R$ 4,91 bilhões. Os partidos que mais receberam deste fundo foram PT, PL e União Brasil, em virtude de sua representação no Congresso. A soma total do fundo partidário alcançou R$ 5 bilhões, distribuídos entre 30 partidos.
Outras fontes de financiamento incluem repasses de partidos e candidatos (R$ 5,66 bilhões), doações de pessoas físicas (R$ 883 milhões) e doações de candidatos a si mesmos (R$ 175 milhões).
















