Governo Trump destinou US$ 1 milhão para financiar campanha contra STF, diz jornal

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A poucas horas do vencimento para uso de recursos originalmente alocados à agenda de direitos humanos, o governo de Donald Trump pressiona para destinar mais de US$ 175 milhões do principal fundo do Departamento de Estado a uma série de iniciativas, incluindo uma campanha contra a Suprema Corte do Brasil, segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira, 1º.

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A verba teria sido destinada na quarta-feira, apesar de preocupações e solicitações do Congresso para que não o fizesse, segundo uma fonte ouvida pelo Guardian. O Departamento de Estado não comentou. As críticas giram em torno de 43 concessões de recursos, totalizando US$ 176,9 milhões, ligadas a causas conservadoras ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que provavelmente irritarão aliados dos EUA devido à interferência na política interna.

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Segundo a reportagem, um subsídio de US$ 1 milhão, intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que é descrito como excesso de atuação judicial e censura por parte do Supremo Tribunal Federal. Não se sabe ao certo o escopo desses grupos ou quem teria recebido diretamente os repasses.

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O jornal relembra ainda que o governo Trump “impôs sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”.

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Desde que Donald Trump voltou ao governo dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, Moraes foi o único ministro do STF a se tornar alvo direto da Casa Branca — as sanções foram aplicadas por meio da chamada Lei Magnitsky, que permite ao Executivo americano bloquear ativos financeiros e barrar a entrada de cidadãos estrangeiros específicos sem necessidade de autorização do Congresso.

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Outros ministros do STF, no entanto, também sofreram contratempos impostos pelo governo Trump — caso de Flávio Dino e Gilmar Mendes, que tiveram os vistos de entrada nos Estados Unidos temporariamente suspensos em 2025. Todas as medidas aplicadas pela Casa Branca contra os magistrados, inclusive a Lei Magnitsky, já foram revogadas.

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No mês passado, Jason Miller, aliado e ex-assessor de Trump, chegou a publicar no uma imagem produzida por inteligência artificial que mostra Moraes usando uma tornozeleira eletrônica.

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Na publicação, Miller compartilhou um artigo do jornal britânico Financial Times que repercutiu o cenário de crise e escândalos do STF, afirmando que a disputa “acirrada” entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes pode ter um “impacto decisivo” nas eleições presidenciais brasileiras de outubro.

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Não é a primeira vez que Miller utiliza as redes sociais para atacar autoridades brasileiras. Em agosto de 2025, o aliado de Trump disse que o presidente Lula tinha um cérebro de “banana amassada” e o comparou ao ex-presidente americano Joe Biden.

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A relação de Miller com Moraes remonta a 2021. Naquele ano, depois de visitar o então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em Brasília, o americano foi levado por agentes da Polícia Federal a uma sala no Aeroporto Internacional de Brasília para prestar depoimento no âmbito do inquérito das fake news, então conduzido pelo ministro.

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Um dos principais assessores de Trump durante seu primeiro mandato, Miller integrou ainda a equipe de transição após a vitória eleitoral do republicano e continua próximo do presidente.

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Repasses

Fontes a par do processo de concessão de subsídios ouvidas pelo Guardian afirmam que a atribuição desses recursos foi objeto de pressão direta por parte de integrantes do governo Trump.

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“Para mim, o ponto principal é a atenção de alto nível — inclusive por parte da Casa Branca — voltada para esses programas”, disse uma fonte ouvida pelo jornal. “Esses prêmios foram apresentados aos escalões mais altos do departamento e contam com o aval da Casa Branca.”

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O maior repasse, de US$ 40 milhões, foi destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC), uma organização sem fins lucrativos anticomunista que, no passado, havia recebido verbas muito menores. O documento também identifica Andrew Bremberg — ex-assessor de política interna da Casa Branca durante o governo Trump e ex-embaixador dos EUA junto ao escritório da ONU na Europa — como um “líder sênior” da fundação.

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Um programa intitulado “Promovendo Aliados da Civilização Ocidental” seria restrito a executores que não subscrevem “narrativas sobre direitos humanos instrumentalizadas ideologicamente, como a ideologia de gênero” — segundo o documento — e receberia US$ 2 milhões. O texto cita possíveis beneficiários na Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Hungria e nos Bálcãs que adotam abordagens “anticomunistas” e baseadas em “direitos naturais”.

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