O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto cancelou o depoimento que prestaria à PF (Polícia Federal) na tarde desta quarta-feira (7) no inquérito do caso Master sobre a relação de servidores do BC com Daniel Vorcaro.
O interrogatório ocorreria na condição de testemunha. A PF usaria a ocasião para saber se Campos Neto tinha conhecimento de que os ex-diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves mantinham parceria com Vorcaro para beneficiar o antigo Banco Master.
Foi na gestão Campos Neto que Vorcaro conseguiu transformar o então Banco Máxima em Banco Master e expandir seu patrimônio para cerca de R$ 40 bilhões.
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Na condição de testemunha, Campos Neto tem o aval para adiar o depoimento, sem necessidade de informar o motivo. Uma nova data ainda não foi marcada pela PF.
A PF aponta os dois ex-servidores do BC como consultores pessoais do então controlador do Master e que Vorcaro pagou propina a eles ao longo dos anos. Santana e Neves negaram as acusações em depoimento à PF.
Vorcaro disse à PF, no fim de agosto, que conhece os dois servidores há pelo menos oito anos e que era “comum” o Banco Central ajudar instituições financeiras. Disse, também, que a cúpula do BC, como o presidente, apoiava a fusão do Master com o BRB, banco público de Brasília, na negociação de R$ 12 bilhões.
Foi nessas condições que, após ser citado por Vorcaro e por um servidor, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, também foi chamado pela PF e depôs na terça-feira (7), como testemunha.
Esse inquérito é o que está mais avançado na PF e tem previsão de término ainda em outubro, com os últimos interrogatórios sendo feitos.
A defesa de Campos Neto não foi localizada para comentar o depoimento cancelado.