Especialista discute uso da força policial e segurança pública

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Uso da Força e Qualificação Policial

O Brasil registrou 6.602 mortes resultantes de intervenções policiais em 2025, conforme os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Essa realidade alarmante reflete a urgência de qualificar o padrão de uso da força pelas polícias. Carolina Ricardo, diretora do Instituto Sou da Paz, destaca a necessidade de investimento em equipamentos menos letais e na saúde mental dos agentes.

Segundo Carolina, a redução da letalidade policial exige decisões políticas e medidas preventivas que devem ser implementadas nas corporações. Ela cita a experiência de São Paulo entre 2020 e 2022, quando o estado conseguiu diminuir a letalidade e a vitimização policial através da introdução de pistolas de choque.

Intervenções e Casos de Ameaça

Um exemplo significativo apresentado pela especialista é o papel dos policiais em situações de ameaça a mulheres por seus parceiros.

A escolha do equipamento pode ser decisiva: “Se ele [policial] só tem arma de fogo, corre o risco de matar. Com uma pistola de choque, ele pode proteger a mulher sem usar letalidade”.

Outro aspecto a ser considerado é a discrepância entre dados oficiais e a percepção da população sobre segurança.

Apesar da redução em alguns indicadores de homicídios e crimes patrimoniais, 94% dos brasileiros ainda acreditam que suas cidades são violentas.

Sentimento de Insegurança e Ações Necessárias

Carolina aponta que o sentimento de insegurança é exacerbado por altas taxas de roubos de celulares e crimes digitais, juntamente com a exposição constante a notícias de violência nas redes sociais. “Hoje, a vida está dentro dos celulares.

Esses furtos vêm acompanhados de golpes digitais, criando uma sensação ainda maior de vulnerabilidade”, explica.

O Instituto Sou da Paz destaca a importância de avaliar os planos de governo durante as eleições. Entre os pontos essenciais, estão:

  • Diagnóstico: Causas e dimensões dos problemas;
  • Competência: Atribuições da presidência;
  • Financiamento: Custos e distribuição;
  • Implementação: Capacidade de execução;
  • Evidências: Estudos que sustentam propostas;
  • Coordenação: Atuação com outros estados e poderes;
  • Controle: Prevenção de abusos.

Carolina alerta para a importância de avaliar propostas políticas que se baseiam apenas em endurecimento das leis, indicando que aumenta de pena é uma solução ineficaz.

“O foco deve ser o fortalecimento da investigação na Polícia Civil e ações estruturais”, conclui.

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