A Embraer e a Saab, respeitadas fabricantes na indústria de aviação, alcançaram um marco significativo ao realizar o voo inaugural do primeiro caça Gripen E completamente montado no Brasil, nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, no complexo industrial de Gavião Peixoto, em São Paulo. A decolagem foi registrada às 10h21, solidificando a presença da linha de produção sul-americana como uma importante base operacional fora da Suécia.
Este evento não apenas evidencia o avanço tecnológico do Brasil na fabricação de aeronaves de combate, mas também inicia a fase final de aceitação dessa linha de produção, aguardada com expectativa por especialistas e pela Força Aérea Brasileira (FAB). O piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, pilota a aeronave, enquanto uma equipe de engenheiros brasileiros cuida do planejamento e da execução da rota durante o teste.
O sucesso desse voo é um reflexo da colaboração intensa entre as duas empresas. Marcus Wandt, responsável pela área de negócios de Aeronáutica da Saab, expressou seu orgulho em ver até onde essa colaboração avançou, referindo-se ao programa Gripen como uma base promissora para o desenvolvimento futuro da aviação militar no Brasil.
A aeronave testada é a primeira de um lote de 15 jatos previstos no contrato de 2014 conhecido como FX-2, que estabelece um acordo de entrega de 36 aeronaves por um valor aproximado de US$ 3,77 bilhões, com a entrega final agendada para 2027. O Ministério da Defesa do Brasil ainda adicionou quatro unidades ao escopo original do contrato, reafirmando o compromisso com a modernização da frota da FAB.
Para a realização dessas montagens no Brasil, uma robusta política de contrapartida comercial foi instaurada. Aproximadamente 350 profissionais brasileiros participaram de programas de formação na Suécia, tornando-se parte essencial da força de trabalho na montagem da aeronave em Gavião Peixoto, que agora conta com 90% de profissionais locais.
A transformação das operações em Gavião Peixoto não ocorre em um vácuo; é parte de uma expansão mais ampla da carteira global do Gripen, que tem visto novas aquisições em diversas regiões. Durante o Farnborough International Airshow, celebrado em julho, Embraer e Saab assinaram um acordo preliminar para a montagem de mais 20 aeronaves no Brasil, um passo que aguarda a formalização de contrato definitivo até o final deste ano.
Este movimento estratégico visa não apenas fortalecer a capacidade produtiva brasileira, mas também garantir que o Brasil se torne um importante polo industrial numa rede de fornecimento internacional, aliviando a pressão sobre a infraestrutura da fábrica na Europa. Com essa nova configuração, Gavião Peixoto se destaca como um novo centro de excelência na montagem de caças modernos.
No último ano, a Colômbia se comprometeu a adquirir 17 jatos Gripen, com prazos de entrega até 2032, e a Embraer está bem posicionada para assumir a responsabilidade por essa entrega, diversificando ainda mais sua influência na indústria.
O Gripen E, designado F-39 pela FAB, está otimizado para substituir a antiga frota de F-5M e oferece capacidades impressionantes. A aeronave atinge uma velocidade de até 2.400 km/h e pode operar a altitudes que chegam a 16 mil metros, com um raio de ação de 1.100 km em configuração de combate. Para missões de transporte em voo limpo, a autonomia pode atingir até quatro mil quilômetros.
A força de combate do Gripen envolve a capacidade de carregar 16,5 toneladas e utilizar mísseis de longo alcance, além de bombas inteligentes guiadas por GPS. Essa versatilidade permite missões de defesa aérea, ataques precisos e reconhecimento, tudo em uma única operação sem necessidade de reconfiguração no solo.
Atualmente, as dez unidades já entregues à FAB estão alocadas no 1º Grupo de Defesa Aérea em Anápolis, Goiás, onde a infraestrutura foi modernizada para suportar simuladores de voo e equipes de planejamento. Espera-se que as futuras aquisições aumentem de maneira a garantir que o Brasil esteja pronto para atender às suas necessidades de defesa aérea nos anos vindouros.
A importância desse lançamento e suas potencialidades para a segurança nacional são inegáveis, e o voo inaugural é a ponta de um iceberg de desafios e desenvolvimentos que agora se desdobram no vasto campo da indústria de defesa e aviação brasileira.