Círio de Nazaré: a tradição que une milhões de devotos

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Uma celebração histórica em Belém

Realizado no segundo domingo de outubro, o Círio de Nazaré voltou a reunir milhões de fiéis em Belém, no Pará, em sua 234ª edição. Neste ano, o tema da procissão foi “Maria, Missionária que nos dá Jesus”, atraindo um público estimado de 2,3 milhões de pessoas para o cortejo que percorreu 3,6 quilômetros. Essa celebração já faz parte da rotina da capital paraense e remonta a uma história de devoção iniciada em 1700.

Segundo a tradição, o Círio teve início quando o caboclo Plácido José de Souza encontrou uma pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens do igarapé Murutucu.

Após levá-la para casa, a imagem desapareceu, retornando repetidamente ao local original. Com isso, Plácido decidiu construir uma pequena capela onde hoje se ergue a Basílica Santuário de Nazaré, marcando o início de uma profunda devoção na região.

A primeira procissão e a sua evolução

A primeira procissão oficial ocorreu em 8 de setembro de 1793, por iniciativa de Francisco de Souza Coutinho, presidente da Província do Pará. Ele organizou o cortejo após uma promessa feita pela cura de uma doença.

Ao se restabelecer, decidiu agradecer à santa através da procissão. Em 1901, a data do Círio foi fixada no segundo domingo de outubro, tornando-se um evento anual significativo.

Elementos simbólicos da festa

Ao longo dos anos, o Círio incorporou diversos símbolos, incluindo a berlinda, utilizada desde 1882 para transportar a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, e a corda, puxada por promesseiros, que se tornou um dos elementos mais icônicos da procissão. Para muitos devotos, puxar a corda é uma forma de expressar gratidão e cumprir promessas feitas à santa.

Este ano, um incidente envolveu a corda durante a Trasladação, quando ela se rompeu, causando atrasos e levando fiéis a disputarem pedaços do material, demonstrando a intensidade da devoção.

Círio de Nazaré como patrimônio cultural

O Círio de Nazaré é mais que uma celebração religiosa; é uma expressão cultural vibrante.

Em 2004, foi registrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, em 2013, recebeu o status de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Essa distinção ressalta a riqueza das práticas culturais, a solidariedade entre os participantes e a transmissão das tradições entre gerações.

A festa contém rituais de agradecimento, homenagens e manifestações culturais, que envolvem tanto habitantes locais quanto visitantes. Em 2026, sob o tema “Maria, Missionária que nos dá Jesus”, o Círio reafirma sua importância como uma das expressões mais significativas da fé católica e da identidade cultural do Pará.

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