No domingo do segundo turno das eleições no Brasil, o clima no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era tenso, especialmente entre os integrantes da Corte. Seis dos sete ministros manifestavam descontentamento em relação à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu ampliar em duas horas o horário de votação em todo o país. A insatisfação era notável entre figuras importantes como o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e os ministros André Mendonça e Dias Toffoli.
Esse desconforto levou a uma reunião entre os ministros para discutir a possibilidade de solicitar que o presidente do STF, Edson Fachin, revogasse essa extensão do tempo de votação. Estela Aranha, ex-auxiliar de Flávio Dino, era a única a apoiar a decisão de Zanin. A ampliação do tempo, no entanto, acabou sendo utilizada como um pretexto por Flávio Bolsonaro para reforçar um discurso conspiratório, alegando que não reconheceria o resultado das urnas. Em poucos dias, ele se autodenominou “verdadeiro presidente eleito” enquanto saía do país.
Mesmo diante das críticas, Nunes Marques não teve escolha senão cumprir a ordem para manter as urnas abertas que ainda não estavam lacradas. Ele já havia alertado Zanin sobre a inviabilidade de simplesmente estender a votação, uma vez que muitas urnas haviam sido fechadas logo após às 17 horas. Assim, ele comunicou que a nova determinação só se aplicaria às urnas ainda abertas.
No decorrer do dia, Nunes Marques foi criticado por sua lentidão em responder aos pedidos do PT e da coligação de Flávio Bolsonaro para adiar a votação. Ele optou por buscar esclarecimentos junto às prefeituras e Tribunais Regionais Eleitorais, o que gerou insatisfação. Por volta das 18 horas, quando a decisão de Zanin já estava em prática, Nunes Marques se deparou com a chegada de resultados de mais de 50% das seções eleitorais no TSE.
A pausa na contabilização dos votos, decorrente da determinação de Zanin, aconteceu quando menos de 1% dos votos haviam sido totalizados. Caso o TSE anunciasse os votos já apurados imediatamente, isso poderia dar margem para especulações e teorias da conspiração, sugerindo uma contagem obscura de votos favoráveis a um candidato ou outro, aumentando desconfianças entre os lados envolvidos.
Para evitar tais complicações e manter a integridade do processo eleitoral, fontes próximas a Nunes Marques relataram que decidiu-se pela divulgação gradual dos votos a partir das 19 horas. Assim, conforme os resultados apareciam, Flávio Bolsonaro chegou a ultrapassar Lula às 19h46, enquanto às 20h25 Lula reassumiu a liderança, posição em que permaneceu, sendo reeleito com 64.256.232 votos, o que corresponde a 51,79% dos votos válidos.
Assim que o TSE registrou que Lula havia alcançado a quantidade necessária para assegurar a vitória, Nunes Marques fez uma ligação ao presidente reeleito às 21h09. Em uma conversa breve de cerca de três minutos, ele parabenizou Lula e desejou sucesso em seu quarto mandato. Finalmente, após um dia conturbado, o processo eleitoral chegava ao fim.
















