A presidente do Peru, Keiko Fujimori, está em El Salvador para conhecer de perto as políticas de segurança pública adotadas pelo governo de Nayib Bukele. A visita oficial inclui uma passagem pelo Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), megaprísão de segurança máxima que se tornou um dos principais símbolos da estratégia salvadorenha contra gangues e organizações criminosas.
Fujimori chegou ao país centro-americano na noite de quarta-feira (28) e tem reunião prevista com Bukele nesta quinta-feira (29). A comitiva peruana reúne ministros e autoridades das áreas de Relações Exteriores, Interior, Justiça, Saúde e Educação.
Megaprísão é referência para política penitenciária
Inaugurado em 2023, o Cecot foi construído para abrigar até 40 mil detentos e integra a política de encarceramento em massa adotada por Bukele no combate às gangues. O modelo inclui medidas de segurança rigorosas e longos períodos de prisão para integrantes de organizações criminosas.
Durante sua campanha, Keiko Fujimori defendeu a construção de grandes unidades penitenciárias inspiradas na experiência salvadorenha. A presidente peruana chegou a mencionar a criação de presídios de grande capacidade, incluindo uma unidade destinada a criminosos considerados de alta periculosidade.
A agenda em El Salvador também prevê reuniões sobre gestão penitenciária, formação policial, reinserção social e estratégias de enfrentamento ao crime organizado.

Governo peruano busca cooperação em segurança
Segundo o governo do Peru, a viagem tem como objetivo identificar experiências que possam contribuir para o enfrentamento da criminalidade e fortalecer a cooperação bilateral. Os dois países também devem discutir parcerias nas áreas de Justiça, saúde, educação e turismo.
Além da visita ao Cecot, a programação inclui encontros com autoridades salvadorenhas e visitas a unidades de saúde e ensino. A iniciativa ocorre em meio à preocupação com o avanço da violência no Peru, onde o governo busca ampliar as ações contra organizações criminosas e redes de extorsão.
Especialistas apontam diferenças entre os países
A possível adaptação do modelo de Bukele ao Peru gera questionamentos. Especialistas ouvidos pelo jornal El País destacam diferenças territoriais, demográficas e na estrutura das organizações criminosas dos dois países.
Enquanto El Salvador concentrou grande parte de sua ofensiva contra gangues específicas, o Peru enfrenta grupos criminosos com atuação diversificada, incluindo extorsões e assassinatos por encomenda. Para críticos da proposta, essas diferenças podem dificultar a reprodução dos resultados salvadorenhos.
Também há divergências sobre o sistema penitenciário. O modelo do Cecot é baseado no encarceramento rigoroso, enquanto a legislação peruana prevê a ressocialização dos presos como parte da execução penal. Uma eventual adoção integral da estratégia exigiria mudanças legais e institucionais.

Política de Bukele também recebe críticas por direitos humanos
A política de segurança salvadorenha reduziu significativamente o poder de atuação das gangues, mas é alvo de denúncias de organizações de direitos humanos sobre detenções arbitrárias, tortura e mortes sob custódia durante o regime de exceção em vigor desde 2022.
Essas críticas alimentam o debate sobre os custos e os limites do modelo. A visita de Keiko Fujimori busca conhecer as medidas adotadas por El Salvador, mas a aplicação de políticas semelhantes no Peru dependerá de decisões políticas, jurídicas e administrativas do governo peruano.
Após a agenda em El Salvador, Fujimori tem viagem prevista à Espanha, entre 2 e 6 de novembro, para participar da Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo.















