Operação do MP-SP na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagrou uma operação surpreendente nesta sexta-feira (16) para investigar potenciais regalias a presos na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite, é o principal alvo, sendo supostamente beneficiado com visitas e outros privilégios que são completamente incompatíveis com seu status de detento.
As ações foram coordenadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que cumpriu três mandados de busca e apreensão na unidade prisional.
Milton Leite está sob investigação por suspeitas de estar envolvido em um esquema de intermediação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o setor de transporte público de São Paulo, estando preso desde 18 de setembro.
Denúncia Anônima e Visitas Suspeitas
A operação foi desencadeada após uma denúncia anônima que indicou um fluxo anormal de visitantes na unidade, muitos dos quais sem vínculos familiares com os detentos. De acordo com o MP, o quadro é “completamente destoante” das condições normais para os demais presos, que não têm a mesma facilidade de acesso a visitas.
Entre os visitantes de Milton, sem autorização formal, estavam figuras políticas de destaque, como Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e os deputados estaduais Delegado Olin e Rogério Franco. O MP aponta que as irregularidades verificadas podem configurar crimes de corrupção passiva e ativa e prevaricação.
Movimentações Estranhas e Monitoramento
Imagens de câmeras de segurança revelaram a presença de veículos não identificados, incluindo uma caminhonete vinculada à família de Milton Leite, na prisão nos dias 8 e 9 de outubro.
Além disso, foi registrada a entrada de uma viatura que deu acesso a Milton Leite à delegacia, gerando suspeitas sobre o prazo e a justificativa para sua saída da cadeia.
A prorrogação da prisão temporária de 30 dias, anunciada na quinta-feira, é um indicativo de que as investigações estão em andamento. Embora Milton Leite tenha se apresentado como inocente e tenha solicitado prisão domiciliar por motivos de saúde, a manutenção de sua prisão não implica condenação.
Investigação Continua
As investigações visam esclarecer como a facção criminosa teria estabelecido laços com empresas de ônibus, empresários e agentes públicos, através de uma aproximação que possa ter influenciado decisões cruciais no setor de transporte. Milton Leite é visto como um potencial articulador político nesse esquema, além de ser suspeito de propriedade real da Transwolff, empresa anteriormente investigada por lavagem de dinheiro relacionada ao PCC.
A coleta de provas, incluindo análises de conversas de celulares de membros da organização criminosa, tem sido fundamental para a construção do caso.
Milton Leite continua sob vigilância enquanto espera pelo desenrolar do processo, que segue em fase de apuração e coleta de evidências.
















