Incêndios na Terra Indígena Maxakali
Desde a quarta-feira da semana passada, a Terra Indígena Maxakali, localizada no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, enfrenta uma tragédia ambiental. Mais de mil hectares foram devastados por incêndios que ameaçam a subsistência do povo Maxakali.
Marilton Maxakali, coordenador da Brigada Indígena Voluntária Kãnãg Hi Água Viva, compartilhou em um depoimento em vídeo os desafios enfrentados pela comunidade para conter o fogo. Mesmo com o suporte de brigadistas do Ibama e do Corpo de Bombeiros, a situação continua crítica, com focos de incêndio ainda ativos.
Destruição das áreas produtivas
O fogo já consumiu grandes extensões de áreas reflorestadas e quintais produtivos, setor vital para a sobrevivência dos Maxakali. Ao todo, 156 hectares de reflorestamento e 60 hectares destinados à agricultura foram queimados. Esses locais eram parte do projeto Hãmhi Terra Viva, que visava recuperar o meio ambiente e garantir alimentos para a comunidade.
Marilton enfatiza a importância do reconhecimento da brigada indígena como um grupo oficial do Ibama, o que proporcionaria melhores condições e estruturas para enfrentar crises como a que estão vivendo atualmente.
Suspeitas de incêndio criminoso
Os indígenas levantam a hipótese de que os incêndios podem ser uma ação criminosa. Um integrante da comunidade compartilhou um áudio que revela celebrações por parte de alguns indivíduos sobre a devastação causada pelo fogo. Este ato de violência se intensificou desde o resultado das eleições, quando o novo Congresso mostrou resistência em apoiar iniciativas ambientais.
Atualmente, a TI Maxakali abriga cerca de 2.147 pessoas, distribuídas em 5.303 hectares. Além da destruição material, os efeitos da fumaça têm afetado a saúde de todos, especialmente as crianças.
Ações e apoio governamental
Em julho, a Justiça Federal já havia determinado medidas urgentes para lidar com a crise sanitária e humanitária enfrentada pelos Maxakali. O decreto prevê ações que buscam reestruturar o sistema de saúde indígena, garantir acesso a água potável e combater a desnutrição, além de medidas para proteger a etnia contra violência e discriminação.
















