Em debate nacionalizado, Tarcísio e Haddad discordam sobre crime, privatizações e indicadores

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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) participaram nesta terça-feira, 29, do último debate entre os candidatos ao Executivo paulista antes do primeiro turno da eleição.
Em cerca de duas horas de discussão, os dois levaram temas como educação, saúde e segurança pública para a esfera nacional, tentaram colar nos aliados do adversário acusações sobre envolvimento com o crime organizado e pediram votos para companheiros de chapa: Haddad gastou um minuto dos 2m30 que tinha para as considerações finais citando as suspeitas que cercam o candidato à Presidência que apoia Tarcísio, Flávio Bolsonaro (PL).

Depois do debate, os dois concederam entrevistas separadamente e disseram que a nacionalização do debate é inevitável. “Como cada candidato acaba tendo uma ligação com as duas candidaturas presidenciais mais importantes, é natural que, em alguma medida, haja uma nacionalização”, disse Tarcísio. Já Haddad afirmou que falou da disputa nacional porque está alarmado com o avanço de Flávio. “Eu estou preocupado com o Brasil e estou preocupado com São Paulo”, respondeu.
O formato do debate favoreceu discussões regionais, uma vez que em dois dos quatro blocos, os candidatos deviam escolher um tema e uma região específica do estado. Em um dos momentos mais acalorados do programa, Haddad questionou o governador sobre os índices de alfabetização na capital paulista, que estão abaixo da média nacional, e Tarcísio apontou que o estado recebeu o “selo ouro” do Ministério da Educação e perguntou se a certificação federal não era boa o suficiente. Haddad não respondeu, aparentando desconhecer o marcador, o que Tarcísio aproveitou em outra resposta. Ao indicar o voto em Guilherme Derrite (PP) para o Senado, o governador elogiou a gestão dele na secretaria de Segurança Pública, “a não ser que você não acredite nesse tipo de indicador”, cutucou.
Haddad também criticou as privatizações feitas pela gestão do adversário, como a da Sabesp e a de linhas de trens na capital. “Precisamos acabar com a onda de privatizações que está trazendo tanto transtorno a São Paulo”, falou. “Vamos parar de olhar para a Faria Lima para se viabilizar [eleitoralmente], precisamos olhar para o usuário.”
Ao todo, a discussão foi civil e marcada pela citação de dados e índices, com poucas surpresas –espelhando a situação da disputa mostrada pelas pesquisas. Um levantamento feito pela Quaest divulgado mais cedo mostra Tarcísio com vinte pontos percentuais de vantagem sobre Haddad, com chance de vitória no primeiro turno. O governador tem 44%, enquanto o ex-ministro da Fazenda, 24%. Desde o início da série histórica da pesquisa, não houve movimentações fora da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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